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A Procrastinação no Trabalho

Luis Herrera - Bacharel em Administração de Empresas e
Sócio Diretor da HC Consultoria Empresarial
10 de fevereiro 2021


Você sabe o que é procrastinação?

Este assunto é estudado por psicólogos e nada mais é que o hábito de postergar tarefas ou ações, normalmente conhecido por: “deixar para amanhã”; “faço depois”; “tem coisa mais importante agora”; “começo na segunda” e por ai vai.

A procrastinação pode ter várias causas: originada em hábitos da vida escolar, decorrentes de problemas de saúde ou da falta de organização e até de responsabilidade em alguns casos. Contudo, entende-se ser um hábito aprendido e não nascido com a pessoa.

Embora possa parecer a princípio algo sem importância, uma “preguicinha” ou forma de agir comum de algumas pessoas, em muitos casos pode se tornar um problema que afeta não só a própria pessoa na vida pessoal, mas também na vida profissional e os que estão a sua volta.

Caso queira saber mais sobre as causas, identificação e tratamentos, existem bons textos na internet como ponto de partida, até mesmo para analisar se você é realmente um procrastinador ou apenas apresenta eventualmente algumas ações semelhantes. Assim, tendo conhecimento do fato e nos casos mais graves, pode ser necessário procurar um profissional para auxiliá-lo no tratamento.

Objetivo deste Artigo

Abordar os problemas decorrentes desse hábito no ambiente de trabalho. Vou usar uma visão de gestor com foco nos resultados negativos decorrentes tanto para equipe como à empresa e não os tipos ou intensidades desse mal.

Inicio pelos males gerados ao próprio indivíduo com esse problema. Pode afetar seu ambiente de trabalho pelo incômodo dos comentários e “brincadeiras” dos colegas, passando por insegurança, baixa estima, inércia frente a situações críticas, bem como gerar stress, insônia, gastrites e outras doenças secundárias, culminando com o afastamento médico.

O problema deixa de ser pessoal quando essas ações passam a afetar os colegas de trabalho, seja por estimular o mesmo hábito em outras pessoas ou por prejudicar o rendimento de suas atribuições, desempenho ruim da equipe, prejuízo financeiro ou abalo à imagem da empresa.

Distinguir o Problema da Procrastinação das Ações Normais

Temos de admitir que é difícil encontrar um funcionário, em qualquer empresa, que não possua no mínimo uma pendência engavetada a algum tempo, isso sendo otimista.

Quase todos nós temos sempre uma ou duas tarefas pendentes, porém temos de avaliar que tipo de pendência é essa, pois não podemos confundir prudência e análise cuidadosa ou ainda, situações que dependam de terceiros, com as ações frequentes e características de “deixar para depois”.

Existem muitas tarefas nas empresas que precisam ser bem estudadas para se chegar a melhor alternativa, mesmo porque uma ação imprudente pode causar prejuízo maior que a perde de alguns dias em sua análise. Isso não é procrastinação, mas sim prudência e profissionalismo.

Diagnóstico na Empresa

Geralmente todos sabem quem é ou quais são esses funcionários na empresa. Porém é muito difícil encontrar empresas que possuam uma sistemática para solucionar tal situação. Por esse motivo os gestores, de certa forma, se tornam coniventes com o problema que, de modo geral, é bem simples de resolver.

O ponto inicial é aceitar que tal problema existe e deve ser tratado. Partindo deste ponto, o RH pode criar um procedimento para sua identificação e as ações para tratamento e recuperação dos envolvidos.

Alguns Sinais Podem Estar no Desempenho

O funcionário com procrastinação tende a ser pouco produtivo, sempre estar cheio de tarefas para resolver, parece que “o mundo está sobre suas costas”. Nesse caso é preciso saber se realmente o funcionário está sobrecarregado ou se ele é um centralizador e não sabe delegar. Se há sobrecarga a empresa deve providenciar a equalização da equipe, mas se a causa for a atitude do funcionário, isso deverá ser tratado pelo RH.

Em muitos casos a falta de comprometimento, proatividade e empenho, podem gerar atrasos nas tarefas de outras pessoas que dependam das ações deste procrastinador.

Tais problemas, muitas vezes em cascata, podem refletir em reclamações de clientes e acarretar prejuízos financeiros.

Solução Proposta

Toda empresa deveria criar sua metodologia para tratar essa situação em seu quadro de funcionários. Este procedimento deve abordar claramente a forma de identificação, análise junto com o funcionário, e após descobrir os motivos de tais ações, oferecer a melhor alternativa para resolver o problema, que pode ser: uma simples mudança de postura/hábito do funcionário, com verificações frequentes pelo superior; um apoio psicológico ou até mesmo médico em casos mais graves.

Contudo a empresa deve estar preparada para fazer sua parte, seja na contratação de mais funcionários, adequação de processos, etc.

Conclusão

Podemos concluir que a maioria absoluta das empresas tem, em maior ou menor grau, algum tipo de problemas com funcionários cheios de pendências ou que deixam tudo para depois. Porém, poucas possuem alguma forma de resolver tais situações, que apesar de simples acabam por não serem percebidas e tratadas.

Acredito que basta a iniciativa de qualquer funcionário na empresa, propondo a formação de uma equipe para estudo do problema que certamente o mesmo poderá ser resolvido rapidamente.

Entretanto, podem existir pessoas que tenham muita dificuldade em mudar, a isso costumamos chamar de “Quebra de Paradigma”. Isso é um aspecto muito comum nas empresas e não podemos confundir pessoas com paradigma das que tem procrastinação.

A reflexão desse tema pode iniciar uma mudança cultural, o que acarretará melhorias na produtividade e no ambiente de trabalho em muitas empresas.